Fragmentos sobre a crítica presente na aforística
I A meio caminho entre uma metáfora e uma metonímia sobre a tekhné aforística, essa condensação de potência semântica, essa vibração vivificada por um vitral que explode em cores várias: o aforismo é como uma lâmina que corta fendas diligentemente, mas também é preciso segurar o corte, enquanto lâmina, para decifrar a fenda mesma. Aqui uma “faca só lâmina” de João Cabral, seus poemas cortados na pedra, fendendo-a, fendem a matéria desiludida da poética ao condensar sua semântica e sua forma. II O aforismo desempenha o papel teatral da impossibilidade da construção de uma verdade talhada na arte do dizer muito ao dizer pouco, ao mesmo tempo que comporta uma derrisória crítica do absolutismo e da monarquia da verdade ipsis verbis , por essas mesmas palavras. Diderot apontou o trabalho do ator como um paradoxo: o páthos assentado na atuação é genuíno? Posto que a atuação mesma, produto da ordenação estética e figurativa do palco, artificializa as paixões do próprio ator que ...