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Mostrando postagens de janeiro, 2023
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  “Mas, com todo esse entusiasmo pelas coisas belas e esse gênio fértil que p ossui, você não inventou nada?” Diderot “Cada objeto amado é o centro de um paraíso” Novalis   Um materialista inc urável, compilador de saberes e coeditor da E nciclopédia como Diderot e um dos pais do romantismo alemão, eivado de poeticidade e filosofia mística como Novalis tem aspectos em comum mais do que gostaríamos ou perceberíamos: Ambos consideram o espírito do homem uma comédia  (mas não apenas) .  Tanto do desejo quanto do drama, tanto da filosofia quanto da crítica, mas também do amor. Em “A religiosa”  e  no “Paradoxo sobre o comediante” ,  respectivamente,  Diderot critica fortemente a clausura da intolerância religiosa e a incapacidade do artista expressar   in natura  a si mesmo enquanto espelha um personagem para uma  kathársis , ao mesmo tempo que é senão o próprio artista a expressar por seus meios os artifícios da poética do drama . É em...

Voltaire, Sócrates e Empédocles: duas Aporias e a exuberância das emanações da Natureza

Mas é preciso cultivar nosso jardim Voltaire Conhece-te a ti mesmo Sócrates (Delfos e seu oráculo, Sócrates e seu  Dáimon )   O Cândido ou o Otimismo de Voltaire é uma vertiginosa e veloz viagem pelo mundo, de  Westfália  a Eldorado, de Portugal à Espanha, da América a França, em dias, uma  K inésis   narrativa sem precedentes,  onde Cândido, o otimista, passa a perceber que o seu mestre  Pangloss  estava entregue a uma ilusão, a uma portentosa quimera metafísica (que não faz de modo algum  jus  a uma crítica séria a filosofia de Leibniz, óbvia intenção, entre outras, do texto de Voltaire: a sátira a teoria da harmonia  estabelecida por  Leibniz onde todo o mal, físico e moral, é uma ilusão , visto que tudo concorre harmoniosamente ( monadologia ) num u n iverso múltiplo onde cada  mínima  parte (as  mônadas ) são diferentes entre si e comportam o universo inteiro em cada uma, de diferentes maneiras, sem ser...

Pequeno ensaio fragmentário sobre o erotismo

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Os dados de Eros são somente insanidades e estridores Anacreonte Os conflitos de sentimentos que apresentamos separadamente não independem uns dos outros, são unidos em pares. Freud   Fragmentos, Fragmentos.  Os  “ dados ”  de Anacreonte, sua profusão de sentido num fragmento (fr. 398) datado do século VI A.C, não estão semanticamente distantes da psicologia das profundezas freudiana  do século XIX-XX , onde o conflito, as  in sanidades e estridores , são dado s  de  uma  espécie de jogo  como quis Anacreonte, poeta do vinho e do amor, do culto a Dioniso. Que em Freud aparece como   exemplar da   amálgama  entre vivência e constituição, tipicamente exposta sob o jugo do conflito , onde o caminho ínclito da sublimação oferece um resultado ao  P áthos  enquanto transformação do negativo da repressão e não eliminação da diferença e do conflito posto . As distâncias ontológicas são exuberantes, entretanto, visto que ...